segunda-feira, 9 de maio de 2011

E não foram felizes para sempre

É engraçado como certos acontecimentos nos marcam a ponto de nos lembrarmos para o resto da vida. Nem precisa ser um fato grandioso, desses que inevitavelmente ficam na memória de todos que o vivenciaram. Estou falando dos pequenos momentos que, por algum motivo obscuro, apenas nós lembramos e quando contamos à alguém que estava presente na hora em que ocorreu, a pessoa nos devolve uma expressão facial que poderia ser perfeitamente traduzida como "hein?".



Não me recordo não...

Lembro de um episódio que vivi com dois colegas de sala, na época do colégio em Brasília. Ela era muito bonita, elegante, um porte digno de um membro da família real inglesa, mas sempre foi um pouco curta de raciocínio. Ele gostava de poesia, lia muito e recitava de improviso, era platonicamente louco por ela.

Ela foi a menina que quase entrou no vestiário masculino após a educação física, cercada por um grupo composto só de meninos, sem perceber. Foi ela que perguntou, ao avistar alguém usando um discman na sala de aula, se aquilo era um walkman com CD. Ela era a aluna que encostava sua carteira na mesa do professor, lá na frente, para ficar mais perto e entender melhor o assunto, porque aparentemente sentar na primeira fila não era o suficiente. Mas ele não ligava para nada disso.

Em um certo dia, quando estávamos os três reunidos, ela resolveu pedir a ele que lhe recitasse uma poesia. Achando que era o momento ideal para mostrar seu talento e, quem sabe assim, levar sua rainha do baile para casa, segurou em sua mão, fez a melhor cara de poeta que conseguiu e começou:

"No despertar da aurora, seus olhos..."

Mas antes mesmo de conseguir terminar o primeiro verso, sentiu a mão dela sendo bruscamente arrancada da sua e em seguida pudemos ouvir em tom de ameaça:

"Quem é essa Aurora?"

Tenho certeza que nesse momento o encanto acabou.