Gavanha-se dinheiro com LP. Ótimo. O CD chegou, diminuiu o tamanho da mídia e trouxe outros benefícios. As coisas mudaram, mas ainda era possível ganhar dinheiro com ele. Até aí, tudo tranquilo. Então, foi inventado o mp3. E o horror se instaurou... Redes P2P foram cada vez mais usadas para quebrar a lei, novos softwares foram desenvolvidos com o intuito de facilitar a obtenção de arquivos de música dos nossos artistas preferidos e mp3 players foram criados, permitindo que qualquer um pudesse ouvir qualquer música, em qualquer lugar, usando apenas um aparelhinho que cabe no bolso.
As coisas mudam. Quem não consegue perceber que isso também se aplica aos negócios, pode cair no limbo para sempre. Significa que músicos perderam o direito de ganhar dinheiro com seu trabalho? Não, significa que vender música, da forma como ainda é feito hoje, está deixando de ser um negócio tão rentável, mas existem outras formas de continuar no mercado. Ainda é possível fazer shows, comparecer em eventos, receber pelo benefício da presença, coisa que não pode ser substituída. E, certamente, novas formas de remuneração surgirão à medida em que a mentalidade for mudando. Ter visão e saber inovar é a diferença entre ser sempre recompensado ou ser esquecido.
Não dá pra ignorar também que o donwload de músicas e os sites de streaming permitiram que os artistas menos conhecidos conseguissem um lugar ao sol, já que a ditadura das rádios e seus jabás está sendo derrubada. Agora todo mundo faz sua própria programação, ouve o que quer, grava a seleção que tem vontade.
Tudo isso me lembra a triste história de uma empresa familiar, passada de geração para geração, que fabricava apenas um pauzinho para bater no cavalo puxador de charrete. Era um negócio fantástico, todo mundo usava charrete para se locomover. O lucro era certo e os empresários não sentiam necessidade de diversificar seu negócio, afinal, o que a população iria fazer? Andar à pé? Os ricos compravam mais de uma charrete para presentear o filho com 18 anos recém-completos. As madames tinham suas próprias charretes para ir às compras sem atrapalhar os maridos.Até a visão de futuro deles era perfeita: com os empréstimos consignados, os aposentados poderiam comprar suas próprias charretes. Veríamos charretes tunadas pelas ruas, com lampiões estroboscópicos e gramofones de alta potência e charretes de luxo para eventos, com minibar e teto solar.
Imagino a decepção e o desespero causados pela chegada do automóvel, seguido por Ford e sua linha de montagem.
Aconteceu uma vez, pode acontecer de novo.

2 comentários:
Ainda bem que as coisas envoluem :P
Carlos adoro teus textos!!!kkkkkk
Ja te disse vc deve escrever um livro!
Abraço!
Paola
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