quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Cada um tem o seu

Certa vez li na internet que "gosto é como braço: tem gente que não tem". Brincadeiras à parte, é indiscutível que preferências sobre diversos assuntos variam bastante de pessoa pra pessoa. 

Música é um exemplo interessante. Já vi gente que, ao ser perguntado que tipo de música gostava, responder "gosto de música boa". Tá, mas boa pra quem? Tenho certeza de que aquele rapaz que escuta funk no volume máximo do seu celular, sem fone de ouvido, dentro do ônibus lotado acha que sua playlist é composta de peças da mais alta qualidade musical já produzida pelo homem, enquanto ser dotado de polegar opositor e telencéfalo superdesenvolvido. E nem adianta argumentar, ele gosta e pronto.

Isso me lembra quando fui conhecer um restaurante com inspiração argentina em Recife e não tinha nem ideia de que teria música ao vivo.

Ambiente agradável, comida boa e músicos arrumando e testando instrumentos em um palco a pouco menos de dez metros de distância. De repente começaram a tocar e era possível perceber a expressão maravilhada no rosto das pessoas nas mesas ao redor e seus olhinhos brilhando. Fiquei espantado porque, francamente, não estava gostando nada daquilo. Quando pararam de tocar, depois de vários minutos que pareceram intermináveis, o provável líder da banda explicou que aquela composição era um frevo que falava sobre a confusão urbana da nossa sociedade atual.

- Ah, agora entendi esse barulho insuportável.

Depois tocaram mais algumas músicas, inclusive um maracatu que deixou a impressão de ter durado mais de meia hora e que não parecia em nada com um maracatu, e foram aplaudidos por todos os presentes. Me senti um estranho no ninho, mas aplaudi mesmo assim, só para não pegar mal. Quem toca frevo e maracatu num restaurante argentino, afinal?

O que vocês estão olhando aí?
O mais curioso foi ter recebido a conta com um couvert de 12 reais por pessoa para escutar algo que eu pagaria até o dobro só para não ouvir. Agora preciso saber quando e onde eles costumam tocar, anotar tudo bem direitinho e tomar todas as providências necessárias para nunca mais ter que passar por aquilo de novo.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

A sua verdade não me interessa

Sabe aquela máxima de que "política, futebol e religião não se discutem"? É a mais pura verdade. Claro que as pessoas são livres para discutir qualquer assunto, expor suas opiniões, argumentar, debater e defender suas ideias, mas se sobrar garrafada em alguma cabeça, não tem do que reclamar.

Isso acontece porque alguns tendem a ser muito passionais quando estão discutindo seus assuntos prediletos. Por exemplo, não basta argumentar com o amigo que o PT fez mais pelo povo do que o PSDB, é preciso chutar seu cachorro, desejar que ele morra pobre e xingar a sua mãe. Não é suficiente comparar títulos e resultados de jogos para mostrar que o Sport é melhor do que o Náutico, ele tem que abrir seu crânio com um tijolo de oito furos, incendiar a bandeira do seu time e xingar a sua mãe. Não satisfaz apenas apontar inconsistências na Bíblia, é necessário espalhar que ele é adorador do demônio, iniciar uma guerra santa e xingar a sua mãe. De beata papa-hóstia.

Mas já que estamos falando de religião, notei que um grupinho que tem saído bastante do armário ultimamente é o dos ateus. Não sei se era apenas uma impressão, mas eles não costumavam bradar tão alto e bater tão forte no peito com orgulho antes. Não que isso, em si, seja um problema. A questão é que os "donos da razão" resolveram comprar briga com quem discorda de suas ideias, assim como seus inimigos fanáticos religiosos.

Lembro de uma situação em que, no meio de uma conversa sem grandes pretensões, a pessoa olhou para mim e disse: "eu sou ateu". Imediatamente após ter soltado a frase, fez um silêncio enigmático, um leve sorriso no canto da boca e fixou o olhar em mim, quando pude ver no seu rosto uma expressão que claramente dizia "e então, o que você acha disso? Debata comigo, estou pronto para refutar seus argumentos".

Mudei de assunto.

Amigo, eu não dou a mínima se você é ateu, agnóstico, afrescalhado ou assexuado. Tudo seria mais simples se ninguém ficasse tentando impor suas próprias ideias sobre questões ainda não (e talvez nunca) provadas. Mas eu já consigo ver ateus em um futuro próximo, batendo de porta em porta para oferecer a verdade a quem ainda não a conhece. Afinal, fanáticos já dá pra ver que eles são.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Não se exponha tanto assim

Se tem uma coisa que eu não consigo entender (na verdade tem várias coisas que eu não consigo entender, mas essa é a que eu lembro agora) é o uso daqueles adesivos da família feliz na carroceria do carro. Talvez eu seja um pouco paranoico, mas tenho a impressão de que isso é exatamente o tipo de coisa que se enquadra em "não compartilhe informações pessoais com estranhos" e faz com que sequestro seja a primeira palavra que vem à mente assim que vejo um carro com um adesivo desses.



Família do bêbado feliz.

No entanto, pensando cuidadosamente, a família feliz não é o único adesivo que traz riscos quando usado pelas ruas. O símbolo do seu time, que você acha lindo e inofensivo, pode levar torcidas organizadas adversárias a destruir seu carro, o adesivo da sua faculdade ou academia diz a qualquer um onde você pode ser encontrado e os adesivos de estacionamento, como os do seu condomínio ou do trabalho, que muitas vezes são obrigatórios, são potencialmente perigosos.

Não quero dar uma de mãe aqui dizendo para não aceitar balinhas na porta do colégio, pipoca de graça ou carona de desconhecidos, mas prefiro acreditar que estas pessoas são inocentes e não percebem os riscos, a estúpidas, que acham que isso não tem como acontecer com elas.



Eu tenho algo da Apple e provavelmente está aqui comigo.

Se eu fosse um desses ladrões de sinal, iria procurar o adesivo da Apple entre os carros parados para assaltar. Já levaria, no mínimo, um ipodzinho para trocar por crack.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Utilidade - Muambator

Aproveitando que falei em sites chineses no post anterior, tenho uma dica de site para quem, assim como eu, costuma gastar um bom percentual do seu orçamento em compras pela internet: o Muambator.

O funcionamento é bem simples e você só precisa de dois passos. O primeiro consiste em fazer um cadastro com algumas informações pessoais e opções de notificação. O sistema utiliza notificações por e-mail, por feed, por push no iPhone e por DM no Twitter. No entanto, para receber as DM é necessário seguir o perfil @muambator e contar com a boa vontade do sistema do passarinho azul (ou será da baleia?), que nem sempre entrega as mensagens por limitações de sua API.

Depois basta cadastrar os códigos de rastreamento enviados pelos vendedores para acompanhar a situação dos seus pacotes. Os códigos são um conjunto de letras e números - normalmente parecidos com RA136643537CN ou RJ714216237BR - e indicam o local onde a sua encomenda está, o que já foi feito, se já saiu para entrega etc.


A ideia do site é excelente porque elimina o trabalho e a perda de tempo de ficar acessando o site dos correios e inserindo códigos manualmente, especialmente para quem tem muitos pacotes em trânsito. Você nem precisa mais se preocupar. Qualquer alteração e o aviso é imediato.

Para quem usa iPhone, existe um aplicativo na AppStore, desenvolvido em conjunto com a Nyvra Software, que permite todas as opções acima e pode ser baixado aqui.