Música é um exemplo interessante. Já vi gente que, ao ser perguntado que tipo de música gostava, responder "gosto de música boa". Tá, mas boa pra quem? Tenho certeza de que aquele rapaz que escuta funk no volume máximo do seu celular, sem fone de ouvido, dentro do ônibus lotado acha que sua playlist é composta de peças da mais alta qualidade musical já produzida pelo homem, enquanto ser dotado de polegar opositor e telencéfalo superdesenvolvido. E nem adianta argumentar, ele gosta e pronto.
Isso me lembra quando fui conhecer um restaurante com inspiração argentina em Recife e não tinha nem ideia de que teria música ao vivo.
Ambiente agradável, comida boa e músicos arrumando e testando instrumentos em um palco a pouco menos de dez metros de distância. De repente começaram a tocar e era possível perceber a expressão maravilhada no rosto das pessoas nas mesas ao redor e seus olhinhos brilhando. Fiquei espantado porque, francamente, não estava gostando nada daquilo. Quando pararam de tocar, depois de vários minutos que pareceram intermináveis, o provável líder da banda explicou que aquela composição era um frevo que falava sobre a confusão urbana da nossa sociedade atual.
- Ah, agora entendi esse barulho insuportável.
Depois tocaram mais algumas músicas, inclusive um maracatu que deixou a impressão de ter durado mais de meia hora e que não parecia em nada com um maracatu, e foram aplaudidos por todos os presentes. Me senti um estranho no ninho, mas aplaudi mesmo assim, só para não pegar mal. Quem toca frevo e maracatu num restaurante argentino, afinal?
O mais curioso foi ter recebido a conta com um couvert de 12 reais por pessoa para escutar algo que eu pagaria até o dobro só para não ouvir. Agora preciso saber quando e onde eles costumam tocar, anotar tudo bem direitinho e tomar todas as providências necessárias para nunca mais ter que passar por aquilo de novo.
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